Felicidade ou aprendizado

Não dá para ter segurança e ser livre ao mesmo tempo.

Isto vale para tudo na vida, inclusive para o amor. O que torna tudo mais difícil. A adrenalina de uma boa paixão contrapõe-se à estabilidade que uma família oferece.

Será que conseguimos viver uma vida inteira na tranquilidade? Não será humanamente impossível, viver sempre na mesma linha de vida.Sem grandes alterações? 
Isto claro, tendo em conta a liberdade de escolha que temos nos dias de hoje. Bem sei que as nossas avós tinham vidas pacatas,mas era mais porque tinha que ser.

Ás vezes sinto que somos um bando de burros, que andaram muitos anos com palas nos olhos, e que de repente foram soltos no campo, sem as ditas palas e, sem nenhuma orientação específica.
Esses burros agora têm uma visão mais alargada do mundo, mas não sabem o que fazer com ela.
Uns perdem-se, outros correm sem rumo felizes, outros estagnam de medo...Muitas coisas acontecem a estes burros soltos.

Fazendo aqui, um paralelismo óbvio, no amor dos nossos dias acontece a mesma coisa. Já não existem regras daquilo que se pode ou não fazer. Podemos tudo, mas não sabemos se vamos conseguir suportar as consequências dos nossos actos.
Não temos verdades absolutas que nos guiem. O que torna tudo mais perigoso e, interessante ao mesmo tempo.

Somos obrigados a ter um autoconhecimento de nós próprios muito maior para fazer face a esta quantidade enorme de opções.
Só que tudo isto dá muito trabalho, e implica uma grande auto responsabilidade pela nossa vida e aprendizagem.

Hoje ouvi uma escritora que gosto muito dizer que :"estamos vivos para aprender, e não para sermos felizes". Talvez seja essa a chave para mantermos a serenidade mental. Se pensarmos que cada experiência tem como finalidade aprendermos e não sermos felizes, sentimos imediatamente um enorme alívio. Aquela pressão de felicidade constante sai de cima das nossas costas e vamos vivendo um dia de cada vez. Nesse caminho de aprendizado, seremos felizes uns dias e noutros não. A felicidade passa a ser um estado passageiro e não um fim em si.

Ouvimos tanto esta frase:"Estamos aqui para sermos felizes".E, isso influencia os nossos pensamentos e a nossa forma de estar.

Voltando ao amor, os amores que valem a pena são aqueles que nos ensinam alguma coisa e não aqueles que nos fazem ser mais vezes felizes. Se partirmos desse princípio, tudo passa a fazer mais sentido. Muitos amores são mais ricos em sofrimento e desilusão, do que em prazer e alegrias.

Esse aprendizado constante terá como finalidade tornar-nos numa pessoa melhor? E qual será a finalidade final??

Qual será a razão pela qual devemos aprender constantemente?

Será uma espécie de faculdade antes da entrada no mercado de trabalho? São estas perguntas que ninguém tem uma resposta que me fazem sentir angustia.

Há um propósito maior para isto tudo, que ninguém sabe bem explicar.






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