Sábados a trabalhar

De vez em quando, calha trabalhar ao Sábado. É uma escala na minha agência que acontece mais ou menos de dois em dois meses.

Bate sempre um arrependimento de me ter candidatado, mas há sempre aquela esperança que apareça um bom negócio quando todos estão distraídos nas suas casas, festas, desportos ou o raio que os parta.

Isto é o que me prende ás vendas.Esta sensação de imprevisível. De que tudo pode de bom ou de mau pode acontecer. Nunca se sabe. Coisas boas já me aconteceram em escalas.Já vendi, já me apaixonei, já conheci pessoas muito interessantes.

Ultimamente tem sido um deserto.Acho que Lisboa atingiu preços nunca antes vistos e que os estrangeiros já não estão para isso, embora as notícias ainda sejam de que o mercado está em alta.
Sinto claramente um abrandamento nas vendas, uma calma a tomar conta da euforia que se sentiu nos últimos 2 anos.

Ainda agora entrou um colega meu, que me mostrou uma angariação nova, mesmo aqui no Príncipe Real. Um apartamento que há um ano não ficaria mais de um mês no mercado e que até hoje não teve 1 contacto sequer. É meio deprimente, para quem trabalha em vendas, quando o mercado arrefece.

Resta saber se vai entrar alguém interessante na loja. Ás vezes entram pessoas famosas, escritores, actores, cantores.Ás vezes só uns chatos a querem um arrendamento barato, ou pior uma loja. Teria que despachar para a associação dos proprietários.Há um bocado de tudo por estes lados.

Cada pessoa que pára à frente da montra é uma possibilidade. Será que vai entrar? Será que vai comprar? Será alguém interessante?

Ás vezes estou meio sem paciência e fico só no computador a ver as futilidades do dia a dia nas redes sociais.
As redes sociais têm uma grande vantagem, quando entramos, o tempo passa 4 vezes mais rápido. Começamos a "cuscar" uma pessoa, depois passamos para a melhor amiga dessa pessoa, depois para a irmã da melhor amiga, depois para o cunhado, depois para o colega de futebol do cunhado, depois vemos que conhecemos alguém da família desse e vamos até aos avós se existirem nas redes.Chegamos a um ponto em que estamos numa página de um total desconhecido, e já nem sabemos bem porque fomos ali parar, e assim quadruplicamos a velocidade do tempo. É uma forma de queimar tempo. As velhinhas põem-se à janela, nós vamos para o Instagram. Novos tempos, novos vícios.

Trabalhar ao Sábado dá tempo de observar estas coisas todas, porque estamos sem as chamadas urgentes do dia de semana. E as pessoas que passam na rua estão mais relaxadas, porque é Sábado.
É um tempo diferente dos outros.Estamos contentes por ser fim de semana, mesmo que não se vá a lado nenhum. Só de saber que podemos ir para casa fazer zapping sem obrigações, é maravilhoso.

No meu caso fui à FNAC comprar uma pilha de livros, que me vou deliciar a ler nas próximas semanas. É o meu novo método para não pensar em quem não devo, sem a ajuda do vinho e dos amigos. Vamos ver se funciona...

Mesmo a trabalhar, gosto sempre dos Sábados.











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