Uma grande piada
Estamos na época dos incêndios no país.
Já houve um em Pedrógão muito mau, e agora estão a acontecer outros péssimos e vergonhosos pelo país.
Não discuto a gravidade de nada disso.
Mas, não posso deixar de notar nestes 400 000 posts a agradecer a chuva, ou com boletins meteorológicos...
A necessidade que temos de nos fazermos passar por bonzinhos e preocupados com as questões do mundo é muito intensa, e com as redes sociais, isso amplifica-se brutalmente.
Postamos um texto sobre os incêndios e somos os maiores, ficamos a ver quem faz mais "likes" e comentários.
Se postamos de manhã, à tarde já nem nos lembramos bem onde são os incêndios.Só queremos é saber se geramos polémica nas redes socais, e quantas pessoas nos aprovam, nos acham bonzinhos e amigos dos indefesos. Quantos de nós fazem alguma coisa proativa para ajudar nesta questão? Quantos empresários se juntam para executarem um plano de acção? Quantos professores pensam numa estratégia para acabar com esta vergonha? Quantos cidadãos se levantam das suas poltronas e vão ao parlamento reclamar? Alguns é certo mas, comparativamente ao número de posts nas redes sociais, ainda são a minoria.
Os incêndios são apenas um exemplo. A prisão de políticos corruptos é outro tema que faz vir ao de cima o comediante e o justiceiro que há em nós.
Quem postou a melhor piada? Quem teve mais "shares"?
Somos uma piada...
De manhã, estamos a tentar arranjar um esquema para sonegar impostos na compra de uma casa, ou ás vezes numa simples compra sem iva,outras vezes numa transação qualquer da empresa onde trabalhamos.Há aqueles que vivem a dever,mas que depois vão a restaurantes e lojas caras. Mas à noite, atrás da nossa tela e do nosso teclado, somos os maiores justiceiros, de carácter imaculado.
Trocamos mensagens picantes com o nosso colega de trabalho que é casado, como muitos de nós somos, ou flirtamos secretamente com o marido da nossa vizinha. Mas, à noite quando sai uma notícia sobre alguma promiscuidade entre jovens, queixamo-nos da falta de moral dos tempos actuais e retorquimos que "antigamente é que era". Mais uma vez a necessidade de nos afirmarmos pessoas puras e de bons costumes, quando na verdade a maioria de nós pensa mais em sexo do que gostaria e faz coisas que até Deus duvida.
Concentramos esforços em tentar parecer, em vez de tentar ser. Um cliché antigo, mas tão verdadeiro.
Todos os grandes mestres espirituais afirmam que, só quando somos, é que atingimos o equilíbrio, que tanto nos traz paz e plenitude. O trabalho deve ser feito interiormente, e isso irá naturalmente reflectir-se no exterior.
É por isso que digo, somos uma grande piada, e é pena.
Já houve um em Pedrógão muito mau, e agora estão a acontecer outros péssimos e vergonhosos pelo país.
Não discuto a gravidade de nada disso.
Mas, não posso deixar de notar nestes 400 000 posts a agradecer a chuva, ou com boletins meteorológicos...
A necessidade que temos de nos fazermos passar por bonzinhos e preocupados com as questões do mundo é muito intensa, e com as redes sociais, isso amplifica-se brutalmente.
Postamos um texto sobre os incêndios e somos os maiores, ficamos a ver quem faz mais "likes" e comentários.
Se postamos de manhã, à tarde já nem nos lembramos bem onde são os incêndios.Só queremos é saber se geramos polémica nas redes socais, e quantas pessoas nos aprovam, nos acham bonzinhos e amigos dos indefesos. Quantos de nós fazem alguma coisa proativa para ajudar nesta questão? Quantos empresários se juntam para executarem um plano de acção? Quantos professores pensam numa estratégia para acabar com esta vergonha? Quantos cidadãos se levantam das suas poltronas e vão ao parlamento reclamar? Alguns é certo mas, comparativamente ao número de posts nas redes sociais, ainda são a minoria.
Os incêndios são apenas um exemplo. A prisão de políticos corruptos é outro tema que faz vir ao de cima o comediante e o justiceiro que há em nós.
Quem postou a melhor piada? Quem teve mais "shares"?
Somos uma piada...
De manhã, estamos a tentar arranjar um esquema para sonegar impostos na compra de uma casa, ou ás vezes numa simples compra sem iva,outras vezes numa transação qualquer da empresa onde trabalhamos.Há aqueles que vivem a dever,mas que depois vão a restaurantes e lojas caras. Mas à noite, atrás da nossa tela e do nosso teclado, somos os maiores justiceiros, de carácter imaculado.
Trocamos mensagens picantes com o nosso colega de trabalho que é casado, como muitos de nós somos, ou flirtamos secretamente com o marido da nossa vizinha. Mas, à noite quando sai uma notícia sobre alguma promiscuidade entre jovens, queixamo-nos da falta de moral dos tempos actuais e retorquimos que "antigamente é que era". Mais uma vez a necessidade de nos afirmarmos pessoas puras e de bons costumes, quando na verdade a maioria de nós pensa mais em sexo do que gostaria e faz coisas que até Deus duvida.
Concentramos esforços em tentar parecer, em vez de tentar ser. Um cliché antigo, mas tão verdadeiro.
Todos os grandes mestres espirituais afirmam que, só quando somos, é que atingimos o equilíbrio, que tanto nos traz paz e plenitude. O trabalho deve ser feito interiormente, e isso irá naturalmente reflectir-se no exterior.
É por isso que digo, somos uma grande piada, e é pena.
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