Falhanços que só os nossos é que percebem
Quando falhamos e contamos o nosso fracasso, a tendência do ser humano que nos ouve, independentemente de ser nosso amigo ou não é consolar-nos, mas no seu íntimo achar que aquele falhanço é da nossa inteira responsabilidade e, por isso merecido. É legítimo e compreensível.
Aqueles que são nossos íntimos, e nem ouvem os motivos do falhanço, tendem a desculpar-nos. Consolam-nos como podem,mas no fundo sabemos que os gestos são de compaixão e não de compreensão.E que se por ventura o nosso falhanço fosse mesmo da nossa inteira responsabilidade, e por preguiça ou falta de luta, a reacção dessa pessoa seria a mesma.Ela defende-nos porque gosta nós.Não é racional, muito menos discutível.
Quando é um par que nos consola, a história é outra e o reconforto é bem maior. Sentimos que não há penas, nem preferências nas palavras e nos sentimentos.Tudo é genuíno.A menos que haja inveja. E desses temos que fugir também.
Quando um par nos consola, as palavras fazem sentido e trazem-nos mais reconforto que o vinho.
Ás vezes esse par sem inveja só existe por momentos, logo depois de sairmos do buraco pode transformar-se num concorrente, mas enquanto isso não acontece, apenas temos que desfrutar e agradecer pelas suas palavras.
Deste falhanço tiro uma lição : não há nada melhor do que nos consolarmos com um par.Melhor do que um amigo ou a nossa mãe.Os nossos pares, seja lá em que for: na maternidade, no trabalho, na guerra ou no amor são as pessoas que nos podem julgar e, por isso mesmo, consolar.São quem realmente percebe a nossa dor e sensação de impotência. É uma camaradagem invisível, que se não for corrompida pela inveja, pode ser um suporte, forte o suficiente para nos afastar da ravina e mais importante do que isso, forte o suficiente para fazer de mola para os próximos saltos sem rede.
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